Canais têm equipa de 90 pessoas, fora da tutela das direções de informação e programação, e passam a promover o país no estrangeiro.

Nem todas as ideias sobre a RTP do grupo de trabalho liderado por João Duque ficaram na gaveta. A reestruturação das antenas internacionais – RTP Internacional, RTP África, RDP Internacional e RDP África – está em curso. Está formada uma equipa conjunta para estes canais, que vai trabalhar de forma autónoma e produzir conteúdos para promover Portugal lá fora.

O projeto – que segundo foi apurado foi posto em marcha em abril – prevê que os canais internacionais procurem formas de se financiar à margem do orçamento da RTP. A partir do próximo ano, esta deverá viver apenas com a taxa de audiovisual e com as receitas de publicidade. Por isso, a ideia passa por arranjar patrocinadores para os conteúdos das antenas internacionais. O modelo ainda não está fechado, mas o objetivo é que os institutos sob a alçada do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) estejam entre os possíveis patrocinadores. Além disso, prevê-se que a RTP África procure parceiros locais nos vários países africanos de expressão portuguesa para ter produção própria local. Também para reforçar a programação, vão ser feitos noticiários específicos para a América e a Ásia, mantendo-se o noticiário para a África. O objetivo é ter conteúdos adaptados às realidades de cada região e emitir a informação à hora mais adequada a cada fuso horário.

Ainda não há uma grelha definida, mas as antenas internacionais têm já um diretor próprio, José Arantes, que reporta diretamente ao diretor-geral, Luís Marinho. Ou seja, a RTP/RDP Internacional e a RTP/RDP África estão já fora da alçada das direções de informação e programação.

Apesar de já estar formada uma equipa de cerca de 90 pessoas (60 das quais na informação), para trabalhar em exclusivo para estes canais, o projeto só deverá arrancar em pleno em outubro. Para já, falta encontrar um espaço físico na sede da RTP, na avenida Marechal Gomes da Costa, para alojar a equipa. Já foi aprovado o cenário que será usado para os noticiários próprios da RTP Internacional. E também já é certa a fusão entre as redações de rádio e televisão – o que fará com que essas sinergias aconteçam nas antenas internacionais ainda antes de o mesmo acontecer nos outros canais da empresa pública, onde tem contado com a resistência dos jornalistas.

A ideia de autonomizar as antenas internacionais surgiu em novembro de 2011, quando o grupo de trabalho nomeado pelo então ministro Miguel Relvas e liderado por João Duque deu a conhecer as suas ideias sobre o futuro do serviço público de TV. Duque defendeu mesmo que a tutela destas emissões devia passar para o MNE. "A promoção de Portugal através da imagem ou do som deve ser enquadrada numa visão de política externa e, portanto, quase que sob a orientação ou em contrato-programa com o MNE" – afirmou na altura o economista, que provocou um coro de críticas por assumir que, "a bem da Nação", a informação da RTP Internacional deve ser "filtrada" e "trabalhada" pelo Governo. A polémica levou o então MNE, Paulo Portas, a ir ao Parlamento: "Eu não confundo grupos de trabalho com decisões, mas respeito a liberdade de opinião", disse, explicando não ter intenção de assumir a tutela daqueles canais.

Contactada, a RTP não prestou qualquer informação sobre as mudanças em curso.

Fonte: SOL

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