Não há dados oficiais de audiências que permitam saber quantos portugueses veem a RTP Açores e a RTP Madeira. Num momento em que se debate o futuro dos canais regionais, não há forma de perceber que impacto têm as seis horas de emissão diárias nos habitantes das ilhas.

Fonte oficial da MediaMonitor/Marktest explica que "a medição de audiências é efetuada em Portugal Continental, as ilhas estão excluídas". Contactada a RTP também não avança dados sobre quem vê o quê na Madeira e nos Açores. "Poucos açorianos se dariam conta, no próprio dia, se Lisboa simplesmente mandasse fechar a RTP Açores amanhã", admite o jornalista Joel Neto. Natural da ilha Terceira, o colunista do DN defende, no entanto, que manter um canal regional é essencial: "Quanto mais avança a globalização, mais sentido faz a televisão de proximidade". Por isso mesmo, Joel Neto aplaude as posições dos candidatos do PSD e do PS à presidência do Governo Regional, que já garantiram que tudo farão para manter o serviço público autonómico. "É a única solução", defende.

Uma vez que o Governo anunciou a intenção de fechar os canais, caso as regiões não os queiram financiar, os candidatos açorianos têm apresentado ideias alternativas. PS e PSD aceitam a transferência da gestão da rádio e televisão públicas para a região – para as quais devem ser criadas empresas –, mas nenhum dispensa o financiamento da República.

Para o socialista Vasco Cordeiro, deve ser criada uma "empresa integralmente pública regional", com as verbas que continuarão a ser enviadas de Lisboa. Berta Cabral, candidata do PSD, explica que a empresa regional a criar "deverá ter capital público nacional e regional, podendo este capital ser aberto a empresas regionais privadas relacionadas com a atividade da RTP Açores".

Na Madeira, a posição de Alberto João Jardim é diferente. O presidente do Governo Regional já disse que, sem dinheiro do Continente, não há canal regional. Vicente Jorge Silva não vê o fim da RTP Madeira como uma grande perda. "Tal como está, não tem uma grande importância social ou informativa", comenta o jornalista madeirense, explicando que a estação está "pressionada pelo poder político" e não tem uma oferta relevante. "Apesar das instalações luxuosas, os programas são na maior parte folclóricos e de conteúdo paupérrimo". Para acentuar a pobreza dos conteúdos, Vicente Jorge Silva fala na quase ausência de debates políticos. "Muitas vezes são desmarcados, porque os membros do PSD Madeira recusam estar presentes quando não lhes interessa".

Joel Neto também não poupa críticas à programação nos Açores: "Nos últimos anos, sob a direção de Pedro Bicudo, houve dezenas e dezenas de horas em horário nobre ocupadas com a retransmissão de concertos dos anos 80 e 90". Por isso, o jornalista acredita que é preciso reforçar o investimento com "mais meios técnicos e humanos", para voltar à época em que a RTP Açores tinha "um papel essencial na consolidação da autonomia".

Apesar de todos os cortes feitos pela administração de Guilherme Costa – que limitou a emissão regional a seis horas diárias –, a RTP Madeira custa 6,5 milhões de euros por ano dos quais 4,7 milhões são para pagar aos 134 trabalhadores da rádio e televisão públicas. Nos Açores, o serviço público custa oito milhões de euros por ano e emprega 149 funcionários nas suas nove ilhas – que custam 5,5 milhões.

A distribuição dos outros canais gratuitos nas ilhas faz com que os dois arquipélagos sejam os únicos locais do país onde a população tem acesso a cinco canais gratuitos. Apesar disso, a ZON revela que "as taxas de penetração entre o continente e as regiões autónomas são comparáveis". De resto, a televisão por cabo começou por ser implementada como projeto piloto nas ilhas. No entanto, nem a ZON nem o MEO revelam quantos clientes têm nos Açores e na Madeira.

Fonte: SOL

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