A consolidação entre as duas operadoras é um dos movimentos mais falados do mercado português nos últimos anos e continua "debaixo dos holofotes". Neste momento, "as estrelas estão alinhadas para uma fusão", segundo a casa de investimento do BPI. A angolana Isabel dos Santos, como maior acionista da ZON e parceira da Sonae, deverá ser o nome a liderar a operação. Falta saber a posição do BES.

É tempo de voltar a falar na frequentemente comentada consolidação entre a Sonaecom e a ZON Multimédia? O BPI Equity Research acha que sim. Porque, como escreve numa nota de análise datada de 18 de setembro, "praticamente todas as peças estão encaixadas". A empresária angolana Isabel dos Santos é a peça que, segundo os analistas Pedro Oliveira e João Urbano, trouxe novamente para "debaixo dos holofotes" esta junção entre as duas operadoras, de que já se fala desde, pelo menos, 2008. Ao adquirir 28,8% da ZON Multimédia em julho, depois de um percurso de reforço acionista na empresa permitido pela alteração de estatutos da operadora, Isabel dos Santos intensificou a especulação em torno da fusão. "Acreditamos que, depois da clarificação na estrutura acionista da ZON, com Isabel dos Santos a dar a necessária clareza estratégica, a fusão/aquisição pode finalmente seguir em frente", escrevem os especialistas do BPI.

A empresária, filha do presidente de Angola, deverá trazer o "foco estratégico necessário e a estabilidade acionista exigida para que ambas as partes cheguem, finalmente, a um acordo", adianta a mesma fonte. "A investidora angolana pode liderar as negociações com a Sonae, já que Isabel dos Santos tem laços próximos com a unidade de retalho [da empresa, a Condis]", acrescenta ainda o documento. A nota assinala que "a adequação estratégica, as expectativas de uma oposição mínima por parte do regulador e a disposição da Sonae em avançar com a operação, demonstrada publicamente, desencadearam a especulação".

Esta não é a primeira vez que se fala desta operação e também não é a primeira análise que refere a probabilidade desta consolidação ocorrer. O Berenguer, por exemplo, disse que a reforçada presença de Isabel dos Santos na ZON "promovia" a fusão. O BES Investimento também acreditou, em junho, na lógica de uma consolidação. Apesar de quase todas as peças já estarem juntas, "algumas peças ainda precisam de ser encaixadas". São duas questões relacionadas com dois desinvestimentos já anunciados, um na Sonaecom e outro na Zon.

A France Telecom já anunciou, em público e por várias vezes, a intenção de deixar a operadora de Belmiro de Azevedo, onde detém 20%. A operação poderia ser uma oportunidade para que esse desinvestimento se concretizasse. O mesmo acontece com o BES, que esteve vendedor da sua posição na ZON Multimédia ao mesmo tempo que a CGD. O banco estatal vendeu a posição a Isabel dos Santos, mas o mesmo não aconteceu com o banco liderado por Ricardo Salgado. O facto de não se saber qual a posição do BES, com uma participação de 10% na ZON, em relação à fusão traz incertezas para a concretização do negócio. Porque, segundo as contas do BPI, é difícil que a fusão seja aprovada em assembleia de acionistas da ZON sem que seja contabilizada a votação do BES. Por isso, "é essencial perceber as intenções do BES". Por um lado, o negócio iria criar, como relembram os especialistas, a oportunidade perfeita para vender aquela posição. Contudo, por outro, também iria criar uma "forte concorrente" para a Portugal Telecom, empresa onde o BES é um acionista estratégico com uma posição de 10,26%.

A Sonaecom é a empresa que, de acordo com o banco de investimento, tem mais capacidade para liderar a consolidação. O BPI Equity Research escreve que a dona da Optimus "tem sido sistematicamente capaz de reduzir custos e de surpreender consistentemente no que diz respeito ao EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações)".

Fonte: Negócios

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1 comentário:

  1. A fusão entre a ZON e a OPTIMUS apenas vai trazer mais concorrência para a MEO da PT pois sabe-se que a ZON ganha vantagem se fundindo com a OPTIMUS.

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