O romance começou em 2007. A paixão foi assumida pela Sonaecom. A ZON não estava "à procura de noiva". A ligação perdeu fulgor, mas continuou a ser comentada. Juntas, seriam mais fortes. Entrou Isabel dos Santos. Seria a casamenteira. Contudo, a mão nunca foi pedida e a aliança está por colocar. Até quando?

Ainda a Zon Multimédia era PT Multimédia e já se falava no assunto. Ainda a PT Multimédia era controlada pela PT e já se falava no assunto. Era 2007. Passaram-se cinco anos e as análises dos especialistas do mercado apontam para a concretização deste negócio. O cenário mais provável, o cenário mais lógico, o passo a seguir.

  • 2007 - O início do romance

A Sonaecom não conseguiu ficar com a Portugal Telecom na sequência da oferta pública de aquisição que lançou em 2006. A operação falhou, mas a PT teve de abandonar o controlo da PT Multimédia (antecessora da Zon) e concretizar um “spin-off”.

Nessa altura, em 2007, ainda antes do spin-off, o Crédit Suisse indicou que, com o fim da OPA, o próximo passo para a Sonaecom poderia ser lançar uma oferta sobre a PT Multimédia. No mesmo ano, Belmiro de Azevedo, dono da holding que controla a Sonaecom, deixou uma afirmação sobre o tema: "vai haver um momento em que vamos dizer se a PT Multimédia está, ou não está, nos projetos de crescimento da Sonaecom".

É noticiado, em Novembro desse ano, que a dona da Optimus estudava várias hipóteses para uma consolidação com a PT Multimédia. A dona da TV Cabo negou quaisquer contactos. Foi o primeiro não da PT Multimédia ao primeiro sim da Sonaecom.

  • 2008 - Romance começa frio e acaba quente

O ano mudou e a Sonaecom já não pondera lançar uma oferta pública de aquisição sobre a PT Multimédia. O que não queria dizer, segundo Miguel Almeida, vice-presidente, que se tivesse perdido o "apetite".

A PT Multimédia passa a chamar-se Zon Multimédia e, ao mesmo tempo, os especialistas do mercado começaram a sentir que a possível relação entre as duas empresas estava a esfriar. Mas os rumores não saíram do mercado. Paulo Azevedo, presidente executivo da Sonae, a holding da Sonaecom, quis reatar a relação em março de 2008. Admitia uma união, que se dispunha a negociar sem pré-condições. Nem precisava de manter o controlo da empresa. As notícias apontavam para que, a promover o casamento, estivesse Joe Berardo, cuja fundação detinha mais de 5% da ZON.

A ZON Multimédia não mostrou interesse. E foi dura. "Estamos bem sozinhos". "Não estamos à procura de noiva". Foram estas as palavras de Rodrigo Costa, o presidente da dona da TV Cabo, em junho desse ano.

Os analistas mudaram, novamente, de opinião. Mesmo com o não, tudo se tornava mais provável. Apontavam para as sinergias da movimentação, defendendo que seria "positivo" para as duas empresas. Entretanto, o alegado promotor da relação passou a ser a Caixa Geral de Depósitos, maior acionista da ZON, e não Joe Berardo.

Nada aconteceu. Até agosto. Nessa altura, Paulo Simões, adjunto da Comissão Executiva da Sonae, assinalou que o crescimento da empresa poderia passar por aquisições. O que reacendeu as especulações do casamento entre ZON e Sonaecom. As ações subiram em bolsa. Eram "expetativas renovadas de fusão". Que se ficaram por expectativas. O ano terminou como começou. Sem boda.

  • 2009 - Mais um pedido, Mais uma recusa

"Não temos incentivos para nos atirar a quem quer que seja", rematou, em março de 2009, Rodrigo Costa. Dois meses depois, Paulo Azevedo referiu um "entendimento crescente" de que o processo tinha pernas para a andar. A Sonae teve de desmentir essas declarações. "Contactos esporádicos" entre as duas empresas havia, não estava era "qualquer negociação" em curso. Proença de Carvalho e Rodrigo Costa, respetivamente chairman e presidente não executivo da Zon, garantiram, também, que não havia quaisquer conversações nesse sentido.

Pedro Santos Guerreiro, diretor do Negócios, escreveu um artigo de opinião sobre a "Twilight Zon" e a permanência dos rumores de uma operação no mercado. "Houve já meia dúzia de manchetes sobre a fusão que ainda não existiu. Não porque os jornalistas andem com falta de notícias mas porque as empresas andam com falta de negócio. As frases são cirúrgicas e fazem as ações subir; os comunicados que as desmentem são sonsos e mantêm a especulação".

Uma análise feita, na altura, indicava que a estrutura acionista da ZON era um dos principais obstáculos para a operação. Tinha acionistas comuns com a Portugal Telecom – a principal concorrente de uma companhia resultante da fusão – e acionistas de referência com visão de controlo. Atualmente, o BES ainda é acionista das duas cotadas. Mas o maior muro à operação passava pelos estatutos. Nenhum acionista poderia deter mais de 10% dos direitos de voto da proprietária da TV Cabo. A não ser que esses estatutos fossem alterados. O que aconteceu em 2012.

Havia outro problema. Mesmo com notícias a dar conta de contactos feitos pela Caixa Geral de Depósitos para a concretização deste casamento, o Governo de José Sócrates não parecia favorável a uma fusão, que até nem deveria levantar grandes questões na Autoridade da Concorrência.

Belmiro de Azevedo lançou críticas a Sócrates sobre o assunto. "Queira ou não o primeiro-ministro, [a fusão] seria a melhor solução, mas o que vemos é a utilização de hidden shares. São melhores do que as golden shares, correspondem a utilizar as ações dos amigos", afirmou o chairman da Sonae, em setembro de 2009.

  • 2010 - Romance frio só animado pela PT

2010 passou sem grandes novidades. A não ser a entrada e o reforço até 10% da empresária angolana na ZON Multimédia, passando a segunda maior acionista da ZON, apenas atrás do banco estatal. Hoje é já a maior acionista. A operação da compra da Vivo, da PT, pela Telefónica animou as perspetivas de consolidação em Portugal. Uma expectativa que foi animando os títulos da Sonaecom e da ZON, que não eram impulsionados pela sempre falada fusão.

  • 2011 - Relação em “banho-maria”

O ano começou com Ângelo Paupério, presidente executivo da Sonaecom, a responder com uma questão a uma pergunta sobre a fusão feita por um jornalista. "Quanto nos deixam de fazer essa pergunta?". Mas a própria Sonae alimentava o assunto. O presidente do grupo, Paulo Azevedo afirmou, em março, não ter desistido da fusão entre as duas cotadas. "Não desisti. Pus em banho-maria. Se algum dia voltar à baila, voltarei a estudar. Se se mantiveram os mesmos pressupostos e drivers de valor, nessa altura serei favorável", referiu. Nessa altura, a Sonae estava já no retalho angolano com uma parceria com Isabel dos Santos, acionista com 10% da ZON. O banho-maria prolongou-se. Nada aconteceu.

  • 2012 - ZON veste-se de noiva?

A alteração da estrutura acionista da ZON Multimédia marcou o início do ano. Houve um pedido de desblindagem, por parte da CGD e do Grupo BES, para que pudessem ser alterados os estatutos da empresa, de modo a que os acionistas pudessem ter mais de 10% dos seus direitos de voto. Os estatutos foram alterados, o que permitiu alterar a estrutura acionista. A CGD vendeu os seus 10% a Isabel dos Santos que, entre outros reforços, chegou a uma posição de 28,8% da ZON Multimédia.

Os analistas apontam para esta caminhada como um passo para a fusão. BES Investimento, Berenberg e BPI Equity Research são algumas das casas de investimento que assinalam esse percurso. Isabel dos Santos poderá ser a peça a liderar a fusão. Por um lado, a empresária angolana tem voz de comando na ZON, por outro, é parceira da Sonae, a holding da Sonaecom.

As peças estarão "praticamente" todas encaixadas, segundo o BPI. Do lado da Sonaecom, parece haver um renovado apetite para a operação, segundo as declarações do CEO da Optimus. Estará o processo a sair do "banho-maria"? As ações já começaram a disparar. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários está a acompanhar a situação. Haverá, finalmente, casamento?

Fonte: Negócios

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