Há dez anos não seria possível: Uma deputada acaba a sua intervenção no plenário da Assembleia da República e minutos depois recebe por e-mail o feedback de eleitores que assistiram ao debate através do Canal Parlamento. A Internet terá aproximado os eleitores e os eleitos mas foi com a televisão que tudo começou, a 18 de Setembro de 2002, com as emissões regulares dos debates na Assembleia da República num canal próprio no cabo, a AR TV.

"O Canal Parlamento mudou o panorama da informação em Portugal. E mudou a maneira de fazer política em Portugal. Mudou. Hoje em dia temos todos a noção de que tudo o que nós dizemos nesta casa, as nossas intervenções, os nossos apartes, é transmitido para milhares e milhares de pessoas no país. É quase como um canal big brother", afirmou à Agência Lusa o director do Canal Parlamento, Nuno Encarnação. O episódio descrito pelo deputado Nuno Encarnação ocorreu no debate da Comissão Permanente sobre as medidas de austeridade, na passada quinta-feira, mas não é inédito, sendo até e desde há alguns anos "o normal".

Na opinião do deputado, "mais simpáticas ou menos simpáticas", as mensagens que os cidadãos enviam aos deputados a seguir aos debates demonstram o interesse que a actividade do Parlamento suscita nos eleitores. "As pessoas dizem o que lhes vai na alma. Mas também propõem coisas, e nós respondemos", disse Nuno Encarnação, convicto de que o Canal Parlamento "mudou muito a opinião que as pessoas têm dos políticos" para melhor. "Este tipo de ferramentas como o Canal Parlamento muda em muito a opinião que as pessoas têm dos políticos. As pessoas percebem o que nós trabalhamos. Quando nós temos quase 24 horas de emissão é sinal de que esta casa trabalha", afirmou. Os comentários negativos, disse, "são comentários que sempre existiram e sempre existirão" mas, frisou, ao fim de dez anos, "é consensual" que o Canal Parlamento aproximou eleitores e eleitos.

"O Canal Parlamento está na génese de tudo. Sem o canal as televisões não transmitiriam o que hoje transmitem. Hoje em dia penso que um terço das emissões dos canais de notícias são dedicadas ao Parlamento", afirmou, sublinhando que as televisões usam gratuitamente as imagens recolhidas pela AR TV.

Com 32 câmaras instaladas em nove espaços - plenário, senado, auditório do edifício novo e seis comissões - a AR TV conta com uma equipa de sete pessoas, duas jornalistas, um coordenador e quatro técnicos. Ao fim de dez anos (as emissões experimentais começaram em 1997 mas as emissões regulares apenas em 2002) a AR TV guarda um arquivo de imagens de cerca de 13 mil horas.

"Há um interesse permanente por tudo aquilo que se passa nesta casa. Caso não tivesse audiências, as televisões não transmitiam tantas horas de tudo o que se passa nesta casa", disse. O próximo passo, revelou o deputado, será criar até ao final do ano uma plataforma interativa de webtv no sítio do Canal Parlamento a partir da qual as pessoas poderão escolher a que debate em comissão querem assistir, quando decorrem duas ou três comissões parlamentares em simultâneo.

Para assinalar os dez anos do Canal Parlamento estão a ser recolhidos pequenos depoimentos de deputados que acompanharam a evolução do canal.

Fonte: Sol

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3 comentários:

  1. Correcção: para quem não se lembra, antes deste canal havia o "Canal Parlamento".

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    1. Quando usava o nome canal parlamento tratava-se das emissões experimentais do canal e começaram em 97, as emissões regulares começaram em 2002 e mudaram o nome para AR TV.

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    2. Creio que essas emissões limitavam-se a sessões parlamentares em directo.

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