A comissão de trabalhadores (CT) da RTP entregou uma ação judicial contra o conselho de administração (CA) da empresa, acusada de "ilegalidades no âmbito do processo de desmantelamento da empresa". Num comunicado, divulgado, a CT garante que foram "esgotadas todas as vias possíveis para entabular um diálogo construtivo".

Contactado, o porta-voz da CT, Camilo Azevedo, diz que o CA não só "tem faltado ao respeito" aos trabalhadores da RTP, ignorando os seus esforços de participar no processo de reestruturação, como "não tem salvaguardado os direitos dos consumidores". Camilo Azevedo refere que o processo de alteração do sinal analógico para a TDT foi conduzido de forma a "assustar as populações para aderirem ao serviço da televisão por cabo", em benefício das empresas que o disponibilizam, permitindo que o número de assinantes disparasse nos últimos meses. De acordo com o seu porta-voz, os trabalhadores têm motivos para se sentir "muito pessimistas" em relação ao seu futuro e da RTP, tendo-se o CA "demitido inteiramente das responsabilidades de promoção do serviço público".

Em resposta, o CA diz que "foi dado conhecimento à CT do documento aprovado pela tutela, relativo às mudanças previstas para a RTP" e que estão ainda "a ser objeto de desenvolvimento as medidas que envolvem o direito de participação da CT, que será consultada logo que o processo estiver concluído".

Outro caso que está a marcar a RTP é a não renovação do mandato do provedor do ouvinte, Mário Figueiredo. A carta registada informando que a RTP iria iniciar o processo da sua substituição chegou no último dia do prazo possível. Mário Figueiredo disse que "as relações com a administração não são boas", como comprova o facto de não ter tido qualquer contacto com ela nos dois anos do seu mandato.

O antigo provedor do ouvinte considera ainda "pouco digna" a forma como lhe foi comunicada a decisão, adiantando que, na prática, representou um "saneamento". Mário Figueiredo entende que houve dois momentos em particular no qual a sua oposição à administração terá pesado para que não fosse reconduzido. Primeiro, quando perante a comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação classificou de ato "ilícito, prepotente e arrogante" aquele que ditou o fim da rubrica "Este Tempo", em que participava o cronista Pedro Rosa Mendes. O segundo, numa audição parlamentar onde, ouvido sobre o fim das emissões de onda curta, "desmantelou as declarações do presidente da RTP e do ministro Relvas".

Fonte: i

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