A Associação Nacional de Municípios Portugueses considerou "escandaloso e vergonhoso" o fim da televisão analógica, afirmando haver um conjunto muito grande de cidadãos, principalmente em municípios do interior, que ficaram sem acesso à informação.

O secretário-geral da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) , Artur Trindade, manifestou preocupação pelas dezenas de municípios "que estão a ser totalmente prejudicados com a Televisão Digital Terrestre (TDT)", ainda por cima numa altura em que Portugal sofre uma crise económica e quando muitos portugueses não têm dinheiro para comprar um aparelho. "Estou muito indignado, porque ontem [quinta-feira] terminou aquele processo que eu considero vergonhoso e escandaloso, que prejudica um conjunto muito grande de portugueses, que ficaram sem acesso à informação e a televisão. E principalmente onde é que isto acontece? Acontece exatamente nas zonas do interior do país. Isto é uma injustiça social", considerou.

O responsável exemplificou com Monchique, no Algarve, e outros municípios do interior da região Centro "que têm índices de cobertura de TDT de apenas 30%, o que significa que 70% da população não tem acesso à televisão". "Nós, ANMP, vamos continuar a lutar e vamos eventualmente tomar decisões que têm a ver com a necessidade de garantir a solidariedade para com estes municípios, que foram abandonados neste projeto. Vamos garantidamente tomar posições que tenham como resultado garantir que haja o acesso destas populações à televisão", assegurou Artur Trindade.

Para o responsável, "este programa foi todo montado para privilegiar uma empresa, para privilegiar a Portugal Telecom (PT) e mais nada", salientando que foi por isso que a ANMP pediu ao Ministério Público para investigar o processo. "Foi a empresa que ganhou milhões, sem nós percebermos porque é que essa empresa não foi obrigada a garantir a transmissão da televisão para todos aqueles que já tinham esse direito. Acho isto verdadeiramente um escândalo", acrescentou.

Artur Trindade criticou ainda a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), porque, apesar de ser uma entidade reguladora, "não regulou precisamente nada neste processo" e até "apareceu sempre como entidade defensora deste projeto". "A Anacom, que é uma entidade reguladora do Estado, no ano passado teve um lucro de 30 milhões de euros. Já que não conseguiu obrigar a PT a respeitar os cidadãos, porque é que não utilizou parte dessa verba para garantir postos de transmissão aos cidadãos que já tinham direito a essa televisão?", questionou.

Fonte: JN

Categorias:

Sem comentários:

MEO
NOS
TDT
Comentários
Comentários