O grupo de trabalho nomeado pelo Governo para estudar o modelo de serviço público de televisão defende a redução da informação na RTP e o fim da RTP Informação. A posição levou a professora universitária Felisbela Lopes a apresentar a demissão.

"Demiti-me porque não me revia naquele documento", disse ao Felisbela Lopes, explicando que desde o início que a posição maioritária no grupo de trabalho coordenado por João Duque passava pela eliminação dos conteúdos informativos no serviço público de televisão.

"A primeira versão era mesmo acabar com a informação na RTP", conta a professora da Universidade do Minho, explicando que na quinta versão, que lhe foi entregue esta terça-feira, podia ler-se como recomendação "para já, a redução da informação na RTP e o fim da RTP Informação".

A especialista em Comunicação acha que esta posição "não faz sentido" e lembra que não existe nenhum modelo de serviço público europeu sem conteúdos informativos. "A informação é vital", considera Felisbela Lopes que se demitiu esta quarta-feira.

A professora diz, aliás, que o grupo de trabalho tece, nas conclusões do estudo que vai apresentar ao Governo esta sexta-feira, considerações sobre a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), apesar de isso não estar no âmbito das suas atribuições.

"Basicamente, defendem que a ERC não é necessária. E eu não me revejo nisso nem acho que deva tecer considerações sobre a entidade reguladora num trabalho sobre serviço público", afirma.

Felisbela Lopes acusa ainda o grupo de trabalho de ter ignorado as sugestões que foi fazendo ao longo dos sessenta dias do prazo para estudar modelos de serviço público.

"Por motivos de ordem pessoal, tive de fazer a maior parte do trabalho através de propostas enviadas por e-mail e, na maior parte das vezes, as versões que me eram devolvidas apareciam com os meus comentários e sugestões apagados", queixa-se.

Recorde-se que Francisco Sarsfield Cabral e João Amaral se demitiram também do grupo nomeado pelo ministro Miguel Relvas e coordenado pelo economista João Duque.

Fonte: SOL

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