Em Abril de 2008, exactamente às oito da noite, os Gato Fedorento emitiram um "comunicado à Nação" que passou em simultâneo nos canais generalistas. "A partir deste momento o comando é meu. E só para verem quem comanda aqui, não vale a pena mudarem de canal porque neste momento nós estamos no ar em todos os canais".

Ouvem-se gargalhadas guturais e Ricardo Araújo Pereira passa o minuto seguinte a prometer a televisão do futuro, em que cada um pode ver o que quiser, quando quiser. "E agora já podem parar a emissão em tempo real para irem efectuar o chichi".

A campanha foi um enorme sucesso e marcou uma viragem no mercado português de televisão paga. A Portugal Telecom já andava a trabalhar no sistema há algum tempo, testando em laboratório uma espécie de Tivo à portuguesa. O Meo foi uma pedrada no charco, que era dominado pela TV Cabo. A filha pródiga tornara-se o alvo a abater.

"A caixa não é melhor" desmistifica Pedro Leitão. "Há caixas de última geração, de alta definição e disco de gravação, e há caixas que vinham do passado. Mas comparando as novas caixas, a do Meo não tem o segredo do hardware", completa. A PT usa boxes Cisco e Motorola, com integração da Alcatel e Microsoft Media Room na base da plataforma. Já a ZON tem várias gerações de caixas a coexistirem, sendo que a sua última geração de boxes é fabricada pela Pace e a Novabase é a integradora.

Portanto, não tem nada a ver com a caixa. A própria ZON admite isso: "as boxes não são desenhadas especificamente para a ZON, resultam de standards da indústria. Têm processadores, memória e configurações que são iguais para todos", explicava em Julho o administrador da empresa. Também Fernando Lopes, director executivo de marketing e vendas da Cabovisão, afasta esse cenário.

"Apesar de ser a tecnologia a induzir todas estas mudanças, na prática para os espectadores é pouco relevante em termos de diferenciação da oferta", refere, "Ou seja, o que temos de valorizar é a oferta de conteúdos e de serviços e não tanto as soluções tecnológicas que as possibilitam", conclui.

O segredo estará então no software e na riqueza da interface desenhada pelos operadores, e talvez ainda noutro elemento: o meio de transporte do sinal até casa dos consumidores. "A box propriamente dita limita-se a interpretar o que vem na rede e meter a informação correcta no ecrã”, explica Pedro Afonso, administrador da Novabase com responsabilidade na área da televisão digital.

"A coabitação dos dois mundos, DVB e IP, nem sempre é fácil". O responsável refere-se às tecnologias usadas pelos operadores, em que podem ser usados ambos os formatos: IP para a comunicação mas DVB para o vídeo. "Isso explica porque é que os ambientes IPTV puros parecem melhores ao utilizador. Tem pouco a ver com as boxes, o problema é a rede", conclui.

A fibra pura da PT pode ser, portanto, o segredo do MEO. Mas não será o único. "É uma plataforma simples, agradável e muito eficaz", resume Pedro Leitão. "Não tem paralelo no mercado", afirmava em Julho o administrador da PT.

A ZON acusou o toque e percebeu que tinha de enveredar pelo mesmo caminho, daí o surgimento de toda a plataforma Iris. "Estamos muito satisfeitos com as adesões que temos tido", indica o administrador Luis Lopes, sem revelar números absolutos. Nos próximos meses, a ZON vai fazer dois upgrades importantes à plataforma, o que inclui a desvirtualização da box em software e a introdução de novas funcionalidades.

Tanto a Iris como o MEO ganharam prémios internacionais ou foram consideradas casos de estudo. A Iris arrecadou em Junho o prémio EMost Innovative Design or User Interface" na conferência TV of Tomorrow Show 2011, que decorreu em São Francisco. E o MEO levou o presidente executivo da PT, Zeinal Bava, a ir a Londres falar do sucesso da plataforma a pedido da Merryl Lynch. Portugal tem razões para se orgulhar? Sim, pelo menos nisto não há qualquer dúvida.

Fonte: Dinheiro Vivo

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5 comentários:

  1. ZON Online já disponível na (Apple) Apps Store...

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  2. TDT: Sinais distintos não permitem visualização

    Aparelho errado
    A Groupon, empresa on-line que oferece descontos nos produtos, colocou à venda um aparelho descodificador para a Televisão Digital Terrestre (TDT), mas que não funciona em Portugal.

    A descrição do produto, uma miniaparelhagem da marca Airis, indica que esta "inclui sintonizador analógico e TDT, leitor de DVD e rádio", entre outras características. Mas o descodificador para a TDT que a Groupon pôs à venda segue a norma MPEG2, quando em Portugal é norma em vigor é a MPEG4.

    Contactada a marca, a Airis, esclarece que o aparelho "não funcionará correctamente" em Portugal. "São sinais distintos, que o produto não suporta". Apesar disso, segundo o site da Groupon, vários clientes adquiriram o descodificador por 99 euros, quando o preço normal é de 199 euros.

    Fonte oficial da empresa disse ao CM que a " Groupon esteve a verificar e de facto existe um erro com o sintonizador TDT. Não será funcional em Portugal. Os nossos clientes já foram informados de tal situação e compensados pelo problema em questão".

    O departamento jurídico da Deco revelou não ter ainda recebido queixas sobre a situação, mas não tem "dúvidas de que vão chover". E recorda que as queixas mais comuns relacionadas com a TDT dizem respeito a falsas identidades dos vendedores que "dizem ser da Zon ou da Meo".

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  3. Então o que se passa com a votação em cima? Já ia com mais de 200 votos e uma diferença de cerca de 10 para a primeira opção, agora reduziu para menos de 200 e estão empatados? Muito estranho...

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  4. neste blog, é tudo censurado e a favor da opiniao do seu criador. a votação era desnecessaria. e os brevemente sao eternos...

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  5. Caro Anónimo,

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