A informação e o cinema são as categorias prioritárias, segundo a maioria dos inquiridos, que também referiu o desporto.

O serviço público de televisão "garante uma cobertura mais eficaz dos acontecimentos do que os restantes canais", considera mais de metade das 1258 pessoas inquiridas no âmbito de um estudo do Observatório da Comunicação (Obercom), sobre o serviço público de televisão em Portugal.

Coordenada pelo professor universitário Gustavo Cardoso, esta investigação de Miguel Paisana procurou medir as percepções dos inquiridos acerca do papel do serviço público de TV. E concluiu que a maior parte das pessoas que respondeu ao inquérito considera "que o serviço público de televisão é importante, deve existir e que até pode dar programas que eles não gostam", explica Gustavo Cardoso. Os resultados traduzem, no seu entender, "uma perspectiva de lógica de partilha e de pertença" e a convicção de que "deve ser feito um esforço para manter" o serviço público de TV.

"O conceito de serviço público tem um peso simbólico muito importante na identificação social do que é prioritário e do que são as preferências individuais de cada pessoa", lê-se no relatório que assinala a existência de "uma sujeição do gosto individual a uma identidade conceptual maior" em que as pessoas "entendem que a chave para a qualidade deste serviço é a sujeição das suas preferências individuais face à necessidade de responder às necessidades colectivas".

Desta forma, as respostas constituem também um "contributo importante na reflexão sobre como deve ser definido o serviço público", diz o investigador. Ao critério baseado no número de espectadores e na opinião das elites sobre o que deve ser considerado público importa acrescentar a opinião das pessoas", defende Gustavo Cardoso. De outra forma, nota, "não sairemos de uma discussão inquinada".

Os resultados dos inquéritos cuja elaboração foi inspirada num estudo semelhante realizado pela RAI (Televisão Italiana) revelam que a maioria dos inquiridos considera que o serviço público é "mais activo do que o prestado pelos canais privados na promoção da língua portuguesa" e é "fundamental para a existência de uma programação variada".

Um número menor de pessoas que responderam ao inquérito considera ainda como importante a "existência de uma provedoria para a qualidade do serviço", classificando-a como "essencial para o serviço público" de televisão.

Para a maioria dos inquiridos, o serviço público de TV "assegura a independência face aos organismos públicos/governamentais" e é essencial "na promoção da diversidade cultural". Perante os canais privados, o serviço público de TV promove "de forma mais activa as questões da cidadania", defendem os inquiridos.

Segundo este estudo, as percepções sobre as prioridades do serviço público de qualidade indicam que as duas categorias mais referidas são a informação (sob o formato de notícias) e os filmes. Seguem-se os documentários/grandes reportagens. Entre os tipos de conteúdos apontados como prioritários, destacam-se também os debates/grandes entrevistas e a ficção de produção nacional, que inclui as telenovelas e as séries.

Cruzadas com a variável "género", estas percepções sobre as prioridades do serviço público revelam que as duas categorias consideradas mais prioritárias (informação e filmes) são as mais equilibradas no que respeita às preferências dos géneros feminino e masculino.

O desporto é uma das categorias que mais disparidade têm, com 78,3% de inquiridos do sexo masculino contra 21,7% do feminino.

Maiores diferenças surgem no que diz respeito às telenovelas nacionais e estrangeiras. Na primeira, 82,7% dos que consideram essa categoria prioritária para um serviço público de qualidade são mulheres e apenas 17,3% são homens. Na segunda, telenovelas estrangeiras, a disparidade é de 82,0% de respondentes do sexo feminino contra 18% do masculino. Nas preferências dos inquiridos, notam-se também grandes diferenças entre homens e mulheres.

Fonte: Público

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