Os canais por cabo e por satélite enfrentam um problema pornográfico: as pessoas que no início da década gastavam rios de dinheiro em conteúdos de pornografia pay-per-view e video-on-demand preferem agora procurar material gratuito na Internet.

O universo dos filmes para adultos já foi muito mais rentável para alguns canais de televisão. Quando estes começaram a transmitir pornografia hard-core nos anos 2000, o negócio cresceu muito rapidamente porque tinha pouca ou nenhuma concorrência. “Era dinheiro novo. Era o segredinho maroto sobre o qual ninguém falava”, explicou ao “Wall Street Journal” o co-director da produtora americana de filmes pornográficos Vivid Entertainment, Bill Asher. Mas nos últimos anos, com a concorrência da Internet, onde é possível encontrar conteúdo pornográfico explícito por nenhum dinheiro, os lucros astronómicos das produtoras e dos canais por cabo têm sofrido um retrocesso.

A tendência já fez com que, finalmente, alguns executivos da televisão americana comecem a falar abertamente sobre isto e sobre as implicações que esta queda terá no futuro da televisão, quando no passado o tema era tabu. Na quinta-feira, a empresa americana por satélite DirecTV nomeou especificamente as quebras no consumo de filmes para adultos como causa de lucros mais baixos no seu sistema pay-per-view durante o segundo trimestre deste ano. A Time Warner Cable também admitiu na semana passada que um terço da quebra de 14 milhões de dólares (9,7 milhões de euros) de lucros da empresa em termos de video-on-demand se deveu ao facto de os consumidores não estarem a alugar tantos filmes para adultos.

No total, as empresas de TV por subscrição fizeram 988 milhões de dólares (689 milhões de euros) de lucro em 2010 graças aos conteúdos para adultos. Em 2008 esse lucro tinha sido de mil milhões de euros, de acordo com estatísticas da consultora SNL Kagan citadas pelo WSJ.

É difícil porém determinar quanto fazem as empresas de TV por cabo e satélite com o aluguer e venda de filmes para adultos porque normalmente estas empresas são pouco transparentes acerca dos seus resultados neste sector. É, porém, do conhecimento geral que as empresas fazem muito dinheiro com este mercado. “É um negócio relevante simplesmente por causa da sua rentabilidade”, disse ao WSJ Craig Moffett, um analista de sistemas por cabo e satélite na empresa Sanford C. Bernstein. Até porque, a maioria dos filmes para adultos são mais caros de alugar (média de 10 dólares), por comparação com os filmes de Hollywood (média de 5 dólares).

“Não há dúvida que o conteúdo gratuito online está a levar muito lucro às televisões por cabo”, disse Tom Hymes, editor sénior da publicação Adult Video News. O mesmo responsável considera que os conteúdos para adultos são mais susceptíveis à concorrência online do que outro tipo de programas porque são mais baratos de produzir e a qualidade interessa pouco aos espectadores. “Há simplesmente excesso de conteúdo e muito dele é de borla”.

O tempo de visualização de pornografia online está a aumentar. De acordo com a consultora Experian Hitwise, um braço do grupo Experian PLC, o tempo médio passado em cada visita a um site de conteúdos para adultos aumentou 26 por cento desde 2008, cifrando-se agora nos oito minutos e 35 segundos.

Para além dos canais por cabo, também as produtoras e os grandes conglomerados desta indústria estão a ter problemas. A Playboy, por exemplo, viu os seus lucros televisivos domésticos caírem de 75,8 milhões em 2007 para 44,4 milhões em 2010. Em 2009, a Playboy admitiu que estes resultados “reflectem a migração dos consumidores para opções com base na Internet”.

O que podem então fazer os produtores e os canais por cabo fazer para contrariarem esta tendência de busca de conteúdos gratuitos na Internet e, simultaneamente, blindar os seus lucros? Mais uma vez aqui a resposta pode estar nos conteúdos. “Não me parece que queiramos descer às trincheiras e lutar com a pornografia barata da Internet”, diz Bill Asher. “O nosso trabalho consiste em criar conteúdo único e interessante, não apenas mais daquilo que anda aí à solta”, frisou.

Fonte: Público

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